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Escassez de divisas pode levar à desvalorização do metical em 2026, alerta a Oxford Economics

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A Oxford Economics emitiu recentemente uma previsão preocupante para a economia moçambicana, alertando que o metical poderá enfrentar uma desvalorização significativa em 2026, num contexto de pressão crescente sobre as reservas cambiais e agravamento dos desequilíbrios externos.

De acordo com a consultora, Moçambique deverá continuar a registar défices persistentes na balança corrente, impulsionados por um nível elevado de importações, particularmente de combustíveis, alimentos e bens intermédios. Dados recentes indicam que as importações anuais superam os USD 8 mil milhões, enquanto as exportações permanecem concentradas em poucos projectos de grande escala, limitando a geração regular de divisas.

No plano das reservas internacionais, o relatório assinala que o país opera com reservas cambiais equivalentes a cerca de 3 a 4 meses de cobertura de importações, um nível considerado vulnerável face a choques externos. Em cenários de maior pressão cambial, esta margem reduzida limita a capacidade das autoridades monetárias de defender a estabilidade do metical no mercado cambial.

A Oxford Economics acrescenta que, num ambiente internacional caracterizado por dólar forte, taxas de juro globais elevadas e menor apetite ao risco, as economias emergentes com escassez estrutural de divisas tendem a sofrer ajustamentos cambiais mais pronunciados. Neste contexto, projecções da consultora apontam para uma possível desvalorização acumulada do metical em dois dígitos ao longo de 2026, caso não se registe um reforço significativo das entradas de moeda estrangeira.

Os impactos de uma eventual desvalorização seriam amplos. Uma queda do metical nesse intervalo poderá traduzir-se num aumento directo dos preços de bens importados, pressionando a inflação, actualmente já sensível a choques cambiais. Sectores como energia, transportes e alimentação — altamente dependentes de importações — seriam os mais afectados, com reflexos imediatos no custo de vida e no poder de compra das famílias.

Do ponto de vista das finanças públicas, a desvalorização da moeda poderá ainda encarecer o serviço da dívida externa, uma parte significativa da qual está denominada em moeda estrangeira, aumentando a pressão sobre o orçamento do Estado e sobre a sustentabilidade fiscal.

Para investidores, empresas e decisores económicos, o alerta da Oxford Economics reforça a necessidade de monitorizar atentamente indicadores-chave, como:

  • evolução das reservas internacionais;

  • trajectória da balança corrente;

  • fluxos de investimento directo estrangeiro;

  • e resposta da política monetária à pressão cambial.

Num cenário de maior fragilidade externa, a gestão cambial, a cobertura de risco e a leitura macroeconómica tornam-se determinantes para mitigar os efeitos de uma eventual desvalorização do metical em 2026.

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