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Ouro sobe para 5.000 dólares com dólar em queda

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O ouro prolongou a trajectória de recuperação na sessão de segunda-feira, 9 de Fevereiro, regressando de forma consistente à zona dos 5.000 dólares por onça, num contexto marcado pelo enfraquecimento do dólar e por uma postura cautelosa dos investidores antes da divulgação dos novos dados do emprego nos Estados Unidos.

 O movimento surge após uma valorização expressiva no final da semana anterior e reflecte a combinação entre factores de curto prazo e forças estruturais que continuam a sustentar o mercado dos metais preciosos.

De acordo com a Reuters, o ouro à vista registou uma subida de 1,3%, negociando em 5.026,04 dólares por onça, enquanto os contratos futuros com vencimento em Abril avançaram 1,4%, para 5.046,10 dólares. A recuperação ganha maior relevância depois de um avanço acumulado de cerca de 4% na sexta-feira anterior, sinalizando um reposicionamento gradual dos investidores num mercado ainda sensível a mudanças rápidas na narrativa macroeconómica.

O enfraquecimento do dólar funcionou como catalisador imediato deste movimento, tornando o ouro relativamente mais atractivo para investidores fora dos Estados Unidos. Mais do que um movimento de euforia, a subida recente sugere uma recomposição prudente de posições, num contexto em que muitos participantes preferem activos defensivos enquanto aguardam maior clareza sobre a evolução do mercado laboral norte-americano.

O foco do mercado desloca-se agora para o relatório de emprego não-agrícola referente a Janeiro, cuja leitura poderá influenciar as expectativas em torno da política monetária da Reserva Federal. Um eventual abrandamento do emprego reforçaria a percepção de que os juros poderão ser reduzidos mais à frente, cenário tradicionalmente favorável ao ouro, dado que diminui o custo de oportunidade de deter um activo que não gera rendimento. Em sentido inverso, dados mais robustos poderão reacender a pressão sobre os preços no curto prazo.

Para além dos factores conjunturais, o ouro continua a beneficiar de um suporte estrutural sólido. Segundo dados do World Gold Council, as compras de ouro por bancos centrais atingiram 863 toneladas em 2025, mantendo-se dentro do intervalo alto histórico. Em paralelo, a procura de investimento incluindo ETF, barras e moedas registou um aumento significativo, ajudando a explicar a resiliência do metal mesmo em níveis de preço recorde.

Em contraste com o perfil mais defensivo do ouro, a prata tem evidenciado o lado mais volátil do actual ciclo dos metais preciosos. Na mesma sessão, a prata subiu cerca de 4%, para a zona dos 81 dólares por onça, após um salto próximo de 10% na sessão anterior. De acordo com o Financial Times, investidores de retalho canalizaram cerca de 430 milhões de dólares para o iShares Silver Trust (SLV) em poucos dias, amplificando as oscilações e reforçando o carácter mais especulativo do metal.

No curto prazo, a evolução do ouro dependerá sobretudo da interacção entre o comportamento do dólar e a leitura dos dados do emprego nos Estados Unidos. Se o enquadramento macroeconómico reforçar expectativas de juros mais baixos, o metal poderá consolidar-se acima dos 5.000 dólares com maior convicção. Caso contrário, surpresas positivas no mercado laboral poderão reintroduzir volatilidade, num mercado que continua fortemente dependente da narrativa macroeconómica global.

 
 

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