Apesar de alguns desenvolvimentos positivos — como a retirada da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional, reservas cambiais consideradas adequadas e a retoma do megaprojeto de gás natural liderado pela TotalEnergies — o FMI considera que os desafios continuam significativos, sobretudo no que respeita à sustentabilidade da dívida e aos desequilíbrios macroeconómicos acumulados.
De acordo com a avaliação, o défice orçamental deverá reduzir-se de 6,2% do PIB em 2024 para 4,5% em 2025. Contudo, essa consolidação fiscal resulta principalmente da redução de despesas com bens, serviços e projectos de capital, e não de um aumento estrutural das receitas públicas. Embora esta estratégia contribua para aliviar a pressão no curto prazo, poderá limitar o investimento público e comprometer o potencial de crescimento da economia.
O crescimento registado foi de apenas 0,5%, reflectindo um ambiente económico frágil. Excluindo o sector mineiro, a expansão deverá situar-se em torno de 2%, influenciada pelo fraco crescimento do crédito e por condições financeiras restritivas. A desaceleração do crédito tem impacto directo no investimento privado, no consumo interno e na arrecadação fiscal, reforçando um ciclo de crescimento moderado.
No plano monetário, embora a inflação tenha permanecido relativamente controlada, o FMI alerta que poderá ultrapassar a meta implícita do banco central no médio prazo, impulsionada pelo financiamento monetário dos défices fiscais elevados. A instituição considera ainda que maior flexibilidade cambial poderia facilitar o ajustamento às condições externas, mas reconhece o risco de maior pressão sobre as reservas e volatilidade no mercado de divisas.
O relatório sublinha que Moçambique permanece exposto a riscos substanciais decorrentes da elevada dívida pública, dos desequilíbrios internos e externos, das fragilidades institucionais, dos desafios de segurança e dos choques climáticos recorrentes. Neste cenário, a trajectória da dívida, a disciplina fiscal e a implementação de reformas estruturais consistentes serão determinantes para restaurar a confiança dos mercados e assegurar maior estabilidade macroeconómica nos próximos anos.