O SPIM, formalizado pelo Aviso n.º 1/GB/2026, é operado pela Sociedade Interbancária de Moçambique e representa uma mudança estrutural na forma como os pagamentos são realizados no país. A partir de agora, transferências deixam de depender de horários bancários tradicionais e passam a ser liquidadas instantaneamente, com disponibilização imediata de fundos ao beneficiário.
Para o cidadão comum, isto significa maior rapidez e previsibilidade nas transacções. Um pagamento efectuado deixa de “ficar pendente” durante horas ou dias. Para comerciantes e pequenas empresas, significa melhoria na gestão de tesouraria, maior rotação de capital e redução do risco associado a atrasos nas liquidações. De acordo com a regulamentação em vigor, as transferências realizadas através do SPIM estão igualmente isentas de taxas de comissões para os utilizadores, reforçando o incentivo à utilização de meios de pagamento digitais. Num contexto em que o uso de carteiras móveis é cada vez mais dominante, a integração num sistema instantâneo reforça a interoperabilidade e amplia o alcance dos serviços financeiros.
Moçambique registava, em Novembro do último ano, mais de 24,6 milhões de contas de moeda electrónica, número significativamente superior às 6,6 milhões de contas bancárias tradicionais. Este crescimento das carteiras móveis operadas por entidades como M-Pesa, e-Mola e M-Kesh demonstra que a digitalização financeira já é uma realidade consolidada no país. Ao integrar bancos e instituições de moeda electrónica numa mesma plataforma, o SPIM acompanha essa transformação e reforça a eficiência do sistema de pagamentos nacional.
Para a economia, o impacto pode ser significativo. Pagamentos instantâneos reduzem fricções, aumentam a velocidade de circulação do dinheiro e fortalecem a confiança nas transacções digitais. Isso tende a estimular a formalização, facilitar negócios e apoiar a inclusão financeira, sobretudo em zonas onde os agentes de carteiras móveis têm maior presença do que infraestruturas bancárias tradicionais.
Com o SPIM em funcionamento, o sistema financeiro moçambicano entra numa nova fase, marcada por maior integração tecnológica, rapidez nas liquidações e reforço da digitalização da economia. O desafio passa agora pela adesão efectiva das instituições e pela utilização crescente por parte dos cidadãos e empresas.