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Petróleo sobe 3% e Brent atinge 84 USD com crise entre Irão, EUA e Israel a pressionar oferta no Médio Oriente

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Os preços internacionais do petróleo registaram uma forte subida nos mercados globais, com o Brent a valorizar cerca de 3,3% para 84,07 dólares por barril e o West Texas Intermediate (WTI) a avançar 3% para 76,80 dólares por barril, à medida que a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão aumenta os riscos para o fornecimento energético do Médio Oriente.

A valorização ocorre num contexto de intensificação das hostilidades na região, após ataques militares contra alvos iranianos e represálias que atingiram infra-estruturas energéticas e navios petroleiros no Golfo. A instabilidade afecta uma área que responde por quase um terço da produção mundial de petróleo, o que tem elevado a percepção de risco entre investidores e operadores do mercado energético.

Nos últimos dois dias, os principais contratos internacionais de crude acumularam ganhos superiores a 5%, reflectindo preocupações crescentes com possíveis interrupções no abastecimento global.

Um dos principais focos de tensão é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Ataques a navios petroleiros e restrições na circulação marítima têm aumentado o receio de perturbações nas exportações provenientes da região do Golfo.

Apesar da pressão altista sobre os preços, o ritmo de valorização abrandou após declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a Marinha norte-americana poderá escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz, caso seja necessário, numa tentativa de garantir a segurança do transporte marítimo e evitar uma paralisação prolongada das rotas energéticas.

Ainda assim, analistas do mercado consideram que a implementação de operações deste tipo poderá levar tempo e que, no curto prazo, o conflito geopolítico continuará a ser o principal factor de suporte para os preços do petróleo.

A instabilidade regional já começa também a afectar a produção e as exportações. O Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), reduziu a sua produção em cerca de 1,5 milhões de barris por dia, aproximadamente metade da sua capacidade actual, devido a limitações de armazenamento e dificuldades logísticas para exportação. Caso a situação persista, existe o risco de paralisação de até 3 milhões de barris por dia de produção.

Face à incerteza, vários países importadores começaram a procurar fontes alternativas de abastecimento. Índia e Indonésia já indicaram que estão a avaliar novos fornecedores de energia, enquanto algumas refinarias chinesas iniciaram paragens programadas ou anteciparam planos de manutenção para ajustar a procura por crude.

Nos Estados Unidos, dados preliminares do sector indicam que as reservas de petróleo aumentaram em cerca de 5,6 milhões de barris na última semana, um valor significativamente acima das expectativas do mercado, que apontavam para um aumento de cerca de 2,3 milhões de barris. Os dados oficiais do governo norte-americano deverão ser divulgados ainda durante a sessão.

Para os mercados financeiros, a evolução dos preços do petróleo nas próximas semanas dependerá sobretudo do desenrolar do conflito no Médio Oriente. Na ausência de sinais claros de desescalada, analistas alertam que a volatilidade poderá manter-se elevada, com a possibilidade de novas pressões sobre os preços da energia nos mercados internacionais.

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