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Liquidez melhora cerca de 1,4 mil milhões de meticais, mas continua a escassez da moeda estrangeira

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O sistema financeiro moçambicano registou uma melhoria significativa da liquidez no mercado monetário, com um aumento de cerca de 1,4 mil milhões de meticais, revertendo o défice observado anteriormente. Ainda assim, esta evolução ocorre num contexto em que persistem limitações no acesso a moeda estrangeira, evidenciando um equilíbrio ainda frágil entre a liquidez interna e a disponibilidade de divisas.

Dados do Banco de Moçambique indicam que o desvio de liquidez passou de um défice de aproximadamente 450 milhões de meticais para um excedente próximo de mil milhões, sinalizando uma recomposição relevante da posição de liquidez dos bancos comerciais.

Este movimento foi acompanhado por um aumento das reservas obrigatórias, tanto em moeda nacional como em moeda estrangeira, reflectindo uma postura mais prudente por parte da autoridade monetária na gestão do sistema financeiro e no controlo de riscos.

No mercado interbancário, a actividade intensificou-se, com o volume de operações overnight a duplicar, mantendo-se a taxa de juro relativamente estável. Ainda assim, o número reduzido de instituições participantes sugere que a liquidez poderá não estar distribuída de forma uniforme entre os bancos.

Por outro lado, a utilização da facilidade permanente de depósito registou uma redução expressiva, indicando uma menor necessidade de absorção de liquidez por parte do banco central. Este comportamento reforça a percepção de que o sistema financeiro está em processo de reequilíbrio, ainda que de forma gradual.

No entanto, no mercado cambial, os sinais permanecem menos favoráveis. Apesar da redução nas operações de compra e venda de divisas, o saldo líquido positivo indica que a procura por moeda estrangeira continua presente, evidenciando limitações no acesso a dólares no sistema.

A estabilidade observada nas taxas de câmbio praticadas pelos bancos contrasta com a subida registada nas casas de câmbio, onde o metical apresenta uma depreciação mais acentuada face ao dólar. Este diferencial sugere dificuldades no acesso a divisas, frequentemente captadas primeiro nos segmentos menos formais do mercado.

A leitura global aponta para um sistema financeiro que apresenta sinais de melhoria da liquidez em moeda nacional, mas que continua condicionado por restrições no acesso à moeda estrangeira. Este desfasamento constitui um dos principais desafios para a política monetária, num contexto em que a estabilidade cambial permanece crítica.

Mais do que um problema de liquidez, o cenário reflecte uma questão estrutural relacionada com o equilíbrio entre oferta e procura de divisas, com implicações directas para a estabilidade económica e financeira do país.

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