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Dívida pública cresce de forma moderada e atinge 17 mil milhões USD em 2025

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A dívida pública de Moçambique atingiu cerca de 17 mil milhões de dólares em 2025, registando um crescimento de 2,16% ao longo do ano, de acordo com o Relatório de Gestão da Dívida do Ministério das Finanças. Apesar de moderado, o aumento evidencia a continuidade da pressão sobre as finanças públicas num contexto de necessidade de financiamento do Estado.

Os dados indicam que o stock da dívida passou de aproximadamente 16,8 mil milhões de dólares no primeiro trimestre para cerca de 17,1 mil milhões no final do ano, reflectindo uma trajectória de crescimento ao longo do período. Este aumento foi impulsionado, em grande parte, pelo reforço do financiamento interno.

As Obrigações do Tesouro mantêm-se como o principal instrumento da dívida interna, representando cerca de 40,8% do total, seguidas pelos Bilhetes do Tesouro, com 33,7%. Este movimento revela uma crescente utilização do mercado doméstico como fonte de financiamento, num contexto em que o acesso a financiamento externo permanece condicionado.

No segmento da dívida externa, a estrutura manteve-se relativamente estável, com predominância do crédito multilateral, que representa cerca de 56,3% do total, seguido do crédito bilateral (34,5%) e dos títulos internacionais MOZAM 2032, cujo stock permaneceu inalterado ao longo do período.

Em paralelo, Moçambique assinou acordos de donativos no valor de cerca de 516 milhões de dólares, com destaque para o sector da saúde, que concentrou a maior parte dos recursos. Estes financiamentos continuam a desempenhar um papel relevante no apoio ao desenvolvimento, sobretudo em áreas sociais.

A evolução da dívida pública levanta, no entanto, questões que vão além do seu crescimento. O aumento do recurso ao financiamento interno indica uma maior dependência do sistema financeiro doméstico, o que pode ter implicações na disponibilidade de crédito para o sector privado e na dinâmica das taxas de juro.

Mais do que o nível da dívida, o foco passa a estar na sua estrutura e nos efeitos que esta pode gerar na economia. Num contexto em que o país procura consolidar a estabilidade macroeconómica, a forma como o Estado se financia continuará a ser um elemento central para investidores, instituições e agentes económicos.

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