Governo quer reduzir pobreza de 65% para 27%
O Governo moçambicano estabeleceu como meta reduzir a pobreza no país dos actuais 65% para 27% até 2044, no âmbito da Estratégia Nacional de Desenvolvimento. Os dados foram apresentados pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, que reconheceu que a pobreza continua a afectar a maioria da população, apesar de alguns sinais de melhoria. Na prática, isso significa que mais de metade dos moçambicanos ainda vive com rendimentos muito baixos, enfrentando dificuldades no acesso a alimentação, saúde, educação e outras necessidades básicas.
Um dos principais obstáculos à redução da pobreza está na estrutura do emprego. Actualmente, cerca de 75% da população activa trabalha na agricultura, pesca e silvicultura, muitas vezes em actividades informais e de baixa produtividade. Isso faz com que muitas pessoas, mesmo trabalhando, continuem sem rendimento suficiente para melhorar a sua qualidade de vida.
Além disso, o país enfrenta níveis elevados de desigualdade, com o rendimento concentrado em uma pequena parte da população, enquanto a maioria continua com poucos recursos. A baixa produtividade e o acesso limitado a oportunidades económicas também dificultam o crescimento e a redução sustentável da pobreza.
Para enfrentar este cenário, o Governo está a implementar vários instrumentos, como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o Fundo de Recuperação Económica e a criação de um Banco de Desenvolvimento, com o objectivo de apoiar pequenos negócios, promover a produção e facilitar o acesso ao financiamento. A intenção é criar condições para que mais pessoas possam gerar rendimento e sair da pobreza.
Segundo o Ministro, o desafio não é apenas financeiro, mas também de confiança, destacando a necessidade de reconhecer e apoiar o potencial produtivo existente na população. Apesar das dificuldades, o Governo garante que já existem acções em curso para inverter a situação. “Não estamos à espera. Estamos a trabalhar”, afirmou. No entanto, os dados mostram que o caminho ainda é longo e que o sucesso dependerá da capacidade de transformar estas medidas em resultados concretos para a população.
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