O barril de Brent, referência global do mercado petrolífero, subiu mais de 4% e ultrapassou a marca dos 105 dólares, reflectindo o aumento da incerteza nos mercados e o receio de possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo e gás.
A subida foi influenciada pela decisão do Presidente norte-americano Donald Trump de rejeitar uma proposta apresentada pelo Irão que previa a redução das tensões militares na região e a abertura de um processo de diálogo para possível entendimento diplomático. Esta decisão reduziu as expectativas de um acordo no curto prazo e agravou o clima de instabilidade nos mercados.
Ao mesmo tempo, o Estreito de Ormuz continua a enfrentar fortes constrangimentos na circulação de navios. Esta passagem marítima é estratégica para o comércio global de energia, uma vez que por ela transita uma parte significativa do petróleo e gás consumidos no mundo.
Com o aumento do risco geopolítico, várias embarcações estão a operar com maior cautela e a adoptar medidas adicionais de segurança, o que aumenta os custos logísticos e reforça o receio de eventuais interrupções no abastecimento.
Especialistas do sector alertam que, caso a situação se mantenha, o mercado poderá continuar sob pressão, com preços elevados e elevada volatilidade nas próximas semanas.
A petrolífera Saudi Aramco já advertiu que o mercado global poderá levar anos até recuperar totalmente do impacto desta instabilidade, devido ao desequilíbrio entre oferta e procura e ao peso crescente do risco geopolítico.
Para economias dependentes da importação de combustíveis, como Moçambique, esta subida pode traduzir-se em aumento dos preços dos combustíveis, maior pressão sobre o transporte e impacto directo no custo de vida da população.